Tudo na vida é capaz de se fazer e mudar

Professor é aquele que nos ajudar a aprender e por isso tenho muito orgulho dessa profissão. Tive mestres maravilhosos e por honrar essa profissão convidei para a História Real desse mês uma pessoa que é muito especial para mim. Por ver a sua trajetória, não poderíamos perder a oportunidade para nos inspirarmos. Em perceber que a vida nos dá os sinais e que respeitar a vontade interior é o que nos deixa mais felizes.

Sejam bem vindos a mais uma História Real com Maurília Maurícia Nunes:

Sempre fui uma criança tímida, mas muito observadora. Sou barriga verde com muito orgulho, porque amo o lugar onde nasci, cresci e vivo intensamente neste momento.

Quando criança, adorava brincar, correr, comer, sujar, coisas que ficam registradas em nossas histórias. Mas desde pequena sempre me encantei por estudos e leituras variadas, e sempre fui uma criança, menina, adolescente estudiosa e com notas boas na escola.

Tudo na vida é capaz de se fazer e mudar

Morava com meus avós paternos desde a infância, devido ao trabalho e horário dos meus pais, que chegavam tarde e saiam cedo. Eu estudava pela manhã e onde morávamos, perto da Joaquina não tinha, na época, transporte público, Por isso meu avô que me levava e buscava todos os dias junto com meus irmãos, primos e alguns amigos que moravam próximo. Uma época maravilhosa onde tudo acontecia, gargalhadas, choros, brigas, estudos, amigos, mas com uma educação severa e respeitada, pois quando o vovô olhava, eu tremia na base e tudo havia significados desde a expressão facial, corporal e a linguagem oral. Isso acontecia devido a rotina diária que tinha a cumprir, como: acordar bem cedo, ir para escola, almoçar, ajudar a vovó nas tarefas, descansar, fazer deveres da escola, enfim, enquanto criança não entendia muito e sempre gostava de brincar e estudar mais do que qualquer outra coisa. Hoje agradeço por essa educação, onde os valores humanos foram aprendidos no dia a dia da prática, com alguns obstáculos, muitas vezes, mas com sucesso por me tornar uma pessoa singular que sou hoje.

Enfim, fui crescendo e sempre envolvida no trabalho com o comércio, restaurante, porque minha família trabalha com isso. Na qual, nos finais de semana e férias escolar participava e ajudava também na hora do movimento, como: lavando pratos, descascando camarão, secando louca e também é claro quando ficava mais calmo o movimento tomava banho de mar para repor as energias, relaxava, amenizava o calor chupando um delicioso picolé.

Gostava e gosto de ajudar as pessoas, sinto-me bem, aprendo com isso, nessa troca de experiência, interagia com pessoas mais velhas, familiares, minha mãe e, inclusive, um homem que tinha uma linguagem difícil de interpretar – pois não sabia escrever mas gostava de trabalhar e tinha uma vontade enorme de enfrentar essa dificuldade.

Então eu na fase de primário da escola, tudo que aprendia, tinha o prazer de ensinar para ele num guardanapo e com o tempo ganhei um caderno pequeno, ensinava as letras, números, segurar a caneta corretamente, pronunciar as palavras e silabas. Percebi que era uma atitude de solidariedade correta, eu queria ajudar, compreender o sentido da dificuldade dele e não deixar que se intimide desta situação para a vida. Sabia o quanto era capaz de aprender, era algo que me incomodava, mas ao mesmo tempo ficava feliz em ver sua expressão de felicidade em aprender. Foram dias e dias e por fim conseguiu escrever seu nome, ler e entender as comandas da cozinha e seus companheiros de trabalho não brigavam tanto com ele, eu adorava esses momentos porque para mim, estava brincando ao imitar minha professora, dando aula.

Fiquei mulher, casei, tive filhos e continuei no ramo do comércio, trabalhava bastante e dava o melhor de mim, mas muitas vezes não conseguia enfrentar certas dificuldades, desilusões, angustias e pensava: meu Deus tenho que fazer algo que me dê prazer, alegria e gostar do que faz. Foi visível a contribuição que o comércio me ensinou, desde o restaurante, loja de roupa, loja de bebidas, supermercado, café, sorveteria entre outros, porém eu não amava o que fazia, parecia que faltava algo e aos 31 anos de idade, resolvi ingressar na graduação de Pedagogia, me formei e atuo na área. Tive a oportunidade de ter professores maravilhosos que me deram força e apoiaram profundamente, assim como minha família. Onde amadureci o meu interior, desafiei a mim mesma, me deixei permitir e vi que tudo na vida é capaz de se fazer e mudar desde que amamos intensamente e nos traz felicidades.

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Sinto-me realizada profissionalmente, trabalho com crianças pequenas e dou o melhor de mim a cada dia, trabalho com diversas atividades sensoriais, porque observo que é por meio do toque e do movimento que as crianças exploram e decodificam o mundo ao seu redor. A psicomotricidade permite que ela conheça o seu corpo na troca de experiências vividas. Sua ação é resultante da socialização, linguagem e da própria individualidade, dando possibilidades para um bom desenvolvimento físico, afetivo e cognitivo com noções de tempo e espaço. Assim Mario Montessori relata, “O relacionamento emocional da criança com o meio que a cerca é tão intenso que acaba por influenciar todo o seu ser, e aí está o porquê de Montessori chamar a criança que se encontra nesta fase de embrião espiritual”. É nesta fase que a criança passa a conhecer o seu corpo, suas vontades, conhecer a si mesmo, pensamentos, constrói sua personalidade, define conceitos, crenças, enfim torna-se pessoa singular. Quanta responsabilidade, mas amo o que faço, aprendemos muito com elas também, num gesto de delicadeza e carinho, palavra que encoraja, permitir a atenção do outro, respeitar as diferenças são momentos únicos e que devemos observar e registrar cada detalhe realizado. Planejar, registrar e avaliar são coisas que aprendemos com o tempo, tanto no mundo profissional como pessoal para adquirir conhecimentos e refletir no que poderá ser mudado ou aperfeiçoado para a sua trajetória, sem julgar o próximo.

Foi possível verificar, no entanto, está profissão que atuo está dentro de mim desde pequena, ensinando as pessoas, ajudar e respeitar as individualidades do próximo, são valores humanos aprendidos desde a raiz familiar e a educação que nos torna pessoa que vive de bem com a vida, relaciona-se melhor com os outros e com ela mesma.

Maurília_Uma mulher confiante, criativa, alegre em tudo o que faz. É carismática com as pessoas que vivem em seu redor, adora estar com a família e amigos. Passar o tempo dando gargalhadas, conversar, caminhar na praia não tem preço que pague essas trocas de energia positiva. Graduada em Pedagogia e Pós-Graduada em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Trabalho há 8 anos no Centro Educacional Menino Jesus, onde relata Maria Montessori, “Para nós, as crianças revelaram que disciplina é resultado somente de um desenvolvimento completo, do funcionamento mental auxiliado pela atividade manual”.

“Inspirando homens e mulheres a fazerem o que amam todos os dias.”
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