Cada acontecimento mudou quem eu sou hoje

Gente linda, chegou nossa história real de quem faz o que ama do mês. Oooba!!! E temos uma história linda e incrível, em cada detalhes das palavras temos pura inspiração – fiquei emocionada com o sucesso dessa caminhada, onde tudo o que aconteceu ‘mudou quem eu sou hoje’. Que vocês tomem inspiração para seguir em frente com a linda Natália Boaventura.

Eu sempre fui uma criança tímida. Nasci do ventre de Minas Gerais, passei metade da minha infância em meio ao envolvente caos da capital paulista e, durante deliciosos 14 anos, experimentei toda a baianidade nagô da cidade de Vitória da Conquista – conhecida como suíça baiana pelas baixas temperaturas que, com frequência, fazem parte do dia de quem lá habita; sim, no sudoeste da Bahia.

Apesar da pouca fala, quando pequena eu já era do tipo que tinha vários amigos. A pedido dos meus pais, a tia Marlene, por vezes, me elegia para pedir o giz na sala vizinha quando este acabava. Eu ia pra porta da sala e chorava por alguns minutos. Eu sabia que, quando aparecesse lá, todo mundo ia me olhar; e eu seria o centro das atenções; e o som das palavras ia sumir; e a minha única vontade seria sair correndo pra bem longe. Passado algum tempo, eu respirava fundo, enxugava as lágrimas, me postava em frente à sala e mirava fixamente a professora, tentando ignorar todos os outros alunos. Eram apenas alguns segundos até que meu pedido fosse feito – quando eu conseguia me fazer entender de primeira, porque muitas vezes a voz realmente não saía em tom suficiente para tal – e ela se mexesse para atendê-lo, mas quase doía de tão sofrido. Ao menos uma vez por semana, era eu a escolhida da tia Marlene, e tudo se repetia – o choro, a vergonha, o sofrimento de uma criança tímida. Na época eu não entendia, mas buscar o giz na sala vizinha mudou quem eu sou hoje.

Aos 18 anos me mudei para Belo Horizonte com a minha irmã mais nova, sem nunca ter estado na cidade antes, e sequer ter morado em Minas – sim, só tinha estado em terras mineiras pra nascer, na cidadezinha conhecida como a capital dos pijamas, nomeada Borda da Mata. Até hoje não sei bem o porquê da minha escolha, mas felizmente tive o apoio dos meus pais e há 11 anos venho me moldando nessa vida de subir Bahia e descer Floresta.

Com tanto acanhamento, sempre fui de me afogar em leituras a fio e de gostar de escrever. Sempre achei que escrever fosse vida. Sempre achei que escrever fosse a minha vida. Quando tive que escolher me diplomar, optei primeiro pela Publicidade e Propaganda, na PUC-MG, devido ao fascínio que a escrita publicitária exercia sobre mim – “Os piores textos de Washington Olivetto” que o diga. Mais tarde, já formada e tendo perdido oportunidades preciosas porque não possuía o registro de jornalista – por algum motivo, as pessoas achavam que essa já era a minha profissão, apenas pelo fato de eu escrever de forma coerente -, voltei à universidade para me graduar no Jornalismo. Na época eu não entendia, mas fazer cursos tão opostos e tão complementares mudou quem eu sou hoje.

Fui a estagiária fazedora do clipping do Governo do Estado de Minas Gerais, fui a estagiária arte-finalista, fui a estagiária que escrevia livros. Fui redatora, fui assessora de imprensa, e com essa última profissão aprendi o que não nasci pra fazer. É frustrante quando isso acontece, mas extremamente libertador. Na época eu não entendia, mas não ser boa em assessoria mudou quem eu sou hoje.

corujaFelizmente, eu tinha um coordenador sensacional, que viu naquela menina que era apaixonada pelo Twitter, antes mesmo de qualquer outra pessoa, um potencial. Eu era apenas uma publicitária aspirante a jornalista perdida, frustrada e heavy user de redes sociais, mas de alguma forma ele sabia que eu podia mais. Da noite pro dia, recebi a missão de planejar a implementação do setor de social media na empresa em que eu trabalhava e apresentar à diretoria. Primeiro, pensei que ele estava esperando demais de mim; depois, que eu não ia conseguir; então, aceitei o desafio. Implementei, desenvolvi e coordenei o setor na assessoria pouco mais de um ano, e como eu cresci. Fiz uma infinidade de cursos na área, estudei exaustivamente, conheci pessoas novas e, dia após dia, vencia as limitações que eu mesma me impus em outros tempos. Tanto, que quando recebi o convite de uma amiga para largar a estabilidade do emprego e viver as emoções de empreender em uma nova agência, eu topei. Primeiro, pensei que ela estava esperando demais de mim; depois, que eu não ia conseguir; então, aceitei o desafio. Na época eu não entendia, mas saber a hora de arriscar mudou quem eu sou hoje.

Foram dois anos e meio de total dedicação, aprendizados e evolução. Definitivamente, a menina tímida ficou pra trás e deu lugar à profissional que conduzia reuniões, uma equipe, uma empresa. Era um sonho de vida, a luta diária, a realização de um propósito. Mas aos poucos, à medida em que os caminhos evoluíam, o propósito foi se modificando e era preciso aceitar que o sonho, agora, era outro. Foi muito difícil admitir isso, foi muito difícil deixar uma sociedade, foi muito difícil deixar uma amizade. Na época eu não entendia, mas ter a humildade de trocar de rumo mudou quem eu sou hoje.

Sem empresa, sem emprego, sem saber exatamente qual caminho seguir pra perseguir os novos sonhos, recebi o convite da melhor agência digital de Minas Gerais para integrar sua equipe como analista. Um cargo que muitos consideravam um retrocesso, eu via como uma grande oportunidade, que até me assustava. Primeiro, pensei que eles estavam esperando demais de mim; depois, que eu não ia conseguir; então, aceitei o desafio. Quase sem respirar, cresci dois anos em dois meses – e muito, mas muito. Conheci profissionais incríveis, aprendi algo novo em ca-da mi-nu-to que passei lá, tive contato com um mundo que quero levar comigo pra vida inteira.

O plano, que nem de longe era não ficar lá por muuuuuito tempo, mudou após um café com aquela mulher de fala mansa, olhos grandes cor de mel e muita vontade de fazer dar certo. A proposta era coordenar o setor de mídias sociais em uma das principais agências de publicidade do Brasil. Primeiro, pensei que ela estava esperando demais de mim; depois, que eu não ia conseguir; então, aceitei o desafio. Ontem fez um ano. Um ano que me perdi, me encontrei, me apaixonei. Que aprendi, que criei, que cresci em escalas inimagináveis. Na época eu não entendia, mas aceitar cada desafio que a vida me propõe muda constantemente quem eu sou hoje.

Lembra da menina que chorava pra buscar o giz na sala vizinha? Atualmente, ela dá palestras – inclusive no próprio trabalho -, ministra um curso voltado para a área de mídias sociais – que já teve a primeira, a segunda e a terceira edições – e até deixa seus medos de lado pra conversar com uma turma ao vivo.

Um conselho? Não tenha medo de mudar. Você nunca sabe como as mudanças podem te definir, te apresentar novos desafios e te levar a caminhos muito mais prazerosos do que a conhecida zona de conforto. Alguns vão continuar onde estão; eu vou seguir mudando e evoluindo. Vem comigo? Boa caminhada! 🙂

Conheça nossa convidada:

NataliaBoaventuraNatália Boaventura. Uma pitada do miudinho mineiro com a perturbação baiana, viciada em ideias, sorrisos, leituras e tomate. Tem uma queda encantadora por cinema, fotografia, música, viagens, design e gastronomia. Curiosa, enganosamente tímida, sentimentalista e apaixonada por literatura, não é fã de se definir, mas o faz agradavelmente aos outros. Comumente brisa, mas pode ser ventania conforme a necessidade. Graduada em Publicidade e Propaganda e em Jornalismo, trabalha há 8 anos com comunicação e já atuou como jornalista, revisora, redatora publicitária e social media. Desde 2012, integra o Conselho Geral da Academia Mineira de Marketing (AMMA). Atualmente é coordenadora de mídias sociais na Filadélfia Comunicação, atendendo a clientes como Mondaine e PUC Minas.

“Inspirando homens e mulheres a fazerem o que amam todos os dias.” Quer saber como o coaching pode lhe ajudar? Me envie um e-mail juliananunes@dreamcoaching.com.br

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